Arquivado; Clique no post para ler!
Excerpt: Poucos sabem, mas, nesta segunda-feira, 17, é o Dia da Internet. Por isso, para quem ainda não sabe como a internet nasceu e, de forma avassaladora, tomou conta de nossas vidas, eu estou republicando uma entrevista que eu fiz em 2009, num ‘ex-site informativo’. Eu entrevistei Demi Getschko, que é considerado um dos pais da internet no Brasil. Ele foi um dos primeiros brasileiros que fizeram troca de e-mails e ajudou a implantar a web várias empresas pelo país. Demi, engenheiro formado pela USP, conta como que a internet era lenta feita uma tartaruga e como era demorado enviar um email – é sério, chegava a demorar horas para uma mensagem simples chegar ao destinatário, hoje o e-mail enviado chega em questão de segundos. Além disso, ele conta como surgiram os novos negócios na rede e como está a questão da segurança na web. Confira a entrevista logo abaixo. — Demi Getschko, considerado um dos pais da internet no Brasil, é Engenheiro Elétrico formado pela USP (Universidade de São Paulo) e diretor-presidente do Nic.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Br), que implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Na entrevista, Getshcko conta como a internet chegou ao Brasil, e faz um panorama da evolução da rede desde que foi criada, passando pela comunicação via e-mail, redes sociais, os problemas gerados pela revolução: como as causas da “Bolha de 2000” e crimes virtuais, sem deixar de mencionar a qualidade de vida proporcionada pela web. O engenheiro fala ainda sobre os novos negócios surgidos a partir da conexão via rede e a segurança das informações. “Os crimes são os mesmos do mundo real, e a rede é um instrumento a mais para que a gente possa ir atrás deles e coibí-lo. Outro ponto, é que o criminoso é o sujeito e não a rede. Certamente existem muitos crimes cometidos por telefone e ninguém tirou do ar a telefonia por conta disso”. Por Cido Coelho Você pode contar um pouquinho como foi a sua contribuição para a chegada da Internet no Brasil? Demi Getschko (DG) – Bom, realizaram uma pesquisa nos anos 70 e 80 na área de ciência da computação e, na verdade, lá fora, nos EUA principalmente, a Internet já começava a ser usada para troca de informação entre pesquisadores. Então o pessoal do Brasil que ia fazer doutorado ou mestrado fora, acabava tendo contato com redes, correio eletrônico, essas coisas e era uma ferramenta muito útil para conversar com os colegas e com o orientador, fazer experimentos remotamente. Quando voltavam ao Brasil, eles sentiam falta dessas coisas. Começou uma pressão em alguns departamentos mais ligados à computação ou à física para ver como é que se faria para que o Brasil, de alguma forma, manter o contato com seus colegas de fora como faziam quando estavam no exterior. Então, numa reunião, a gente achou que valia a pena que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) encabeçasse a união das três universidades, e quem mais fosse interessado e para conseguir uma linha lá fora. Ao mesmo tempo em que a gente fazia isso em São Paulo, outros grupos no Rio faziam mais ou menos a mesma coisa, e sofriam a mesma pressão. Nós tivemos uma reunião na Poli, acho que foi em 1987, onde esses grupos sincronizaram-se e decidiram então que iam fazer um esforço para ligar uma rede internacional que na época era mais usada. Era uma rede chamada Bitnet que era bastante simples e também de baixo custo. No final, cresceu como se fosse uma estrela, com um monte de ligações espetadas na Fapesp e outras no Rio no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), todo mundo ligado na Bitnet, assim essas duas estrelas não estavam conectadas entre si. Até então não havia uma forma de ir de São Paulo até o Rio sem passar pelos EUA e o correio era entregue em algumas horas, o que na época era um espetáculo, todo mundo estava muito feliz. NoReset – Quando foi que começou a Internet como conhecemos? DG – A rede era, evidentemente, muito lenta e ruim, é preciso lembrar que nessa época a Internet não tinha web não tinha sites, era uma rede de correio eletrônico. Isso mudou depois 91, quando surgiu a proposta de online web, mas em 1993 tivemos o primeiro contato com browser e coisas do gênero. À essa altura também as linhas já melhoraram muito. Então quando entraram as imagens, nós achamos que ela [a linha de conexão] ia afundar de vez, que não iríamos mais conseguir passar nada. Mas por sorte, também as linhas começavam a ficar mais rápidas. E aí, outra coisa que puxou o evento foi a Eco 92, no Rio. Veio um monte de gente do mundo inteiro que queria o correio eletrônico como usavam no seu país de origem. E conseguimos. Eles vieram ao Brasil e continuaram usando a Internet, o que foi importante para firmarmos a rede. Daí para frente foi mais fácil a iniciativa, foi por aí, ligamo…